CANINDÉ SÃO FRANCISCO

Prefeitura Municipal
End.: Praça Ananias Fernandes, s/n
Telefone: 79 346-1241 / 1310 - Fax 346-1241
Prefeito(a)  Atual: ROSA MARIA FERNANDES FEITOSA

caninde@infonet.com.br

Região: Norte (SErtão do São Francisco)
Distancia de Aracaju: 213 Km
População: 17.749 
Atividades econômicas: Agricultura irrigada nos projetos Califórnia e Jacaré -Curituba (em andamento)

Edivânia Freire 
Jornal Cinforme

A pequena cidade de Canindé, a 213 km de Aracaju, passou a ser o município mais visitado do Estado, tanto comercialmente quanto politicamente, após a construção da hidrelétrica  de Xingó, no Rio São São Francisco, que dera 25% da energia do Nordeste. A receita mensal do município, decorrente do ICMS da Usina, de repente ultrapassou os R$ 2,5 milhões, só perdendo para a capital (Aracaju).

A partir da década de 90, a pacata cidade nascida de uma aldeia de pescadores passou a ter uma vida política conturbada, movida por assassinatos e corrupção. Por volta de 1936, äs margens do Velho Chico,existiam dois pequenos arruados situados entre morros, que ficaram  conhecidos como Canindé de Cima e Canindé de Baixo. A povoação deixou de existir a partir da implantação da Usina. a justificativa  para transferência  da sede do município foi o fato de que, além da cidade não ter espaço  para se expandir, ela ficava na chamada área de risco da hidrelétrica.

Diante disso, foi feito um trabalho de conscientização junto aos canindeenses   para convencê-los da necessidade da transferência. Os governos municipal, estadual e federal uniram-se para  que o projeto de US$3,5 bilhões de dólares,  se concretizasse . Com a mudança da cidade,m alguns moradores receberam indenização e a maioria fez permuta por uma casa na cidade planejada.

A nova Canindé foi construída pela Chesf - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - e entregue aos moradores. A cidade, apesar de projetada, com área administrativa, comercial e residencial, não foi estruturada suficientemente  para receber a quantidade de gente  que procurou a cidade com o sonho  de melhorar de vida.

HISTORIA ANTIGA

Canindé fazia parta da sesmaria de 30 léguas de terras, concedidas aos Burgos - família da Bahia chefiada pelo desembargador Cristóvão Burgos  e Contreiras - que lhes foi doada em 1629,  pelo governado de Pernambuco D. João de Souza. Essas mesmas terras pertenceram depois ao Morgado de Porto da Folha, instituído por Antonio Gomes Ferrão Castelo Branco.

Conforme registro na enciclopédia dos Municípios  Brasileiros, nos tempos do Brasil colonial  o território de Canindé foi devassado pela cobiça das bandeiras mas, por causa da seca que castiga toda a região sertaneja, os primeiros desbravadores acabaram perdendo o interesse pelas terras apesar da grandeza do Rio São Francisco.

No final do século XIX, existiam apenas quatro fazendas nos arredores: Cuibá, Brejo, Caiçara e Oroco. Foi quando Francisco Cardoso de Britto Chaves, conhecido como coronel Chico Porfírio, resolveu investir naquelas terras. Comprou uma grande propriedade ao capitão Luiz da Silva Tavares - onde posteriormente foi implantada a sede antiga de Canindé - construiu sua residência e fundou também o Curtume Canindé, em sociedade com o coronel João Fernandes de Brito.

Mais tarde o Curtume virou uma industria mecanizada que atraiu inúmeros trabalhadores, aumentando o número de moradias do lugarejo.

Na Canindé de Cima havia algumas taperas dos pescadores João e José Alves, Ota, José de Terto, Libório, Antônio Fininho, Neco de Carlota e outras famílias. Na de Baixo, onde foi implantado o curtume, surgiram várias casas, transformando o provocação na mais importantes da beira do velho Chico.

SUA EMANCIPAÇÃO

Em 1936, a povoação já contava com 120 casa e uma capela e por isso ganhou a condição de 2º Distrito de Paz de Porto da Folha. Dois anos depois, através da lei nº 69, de 28 de março, passava ä condição de vila.

Por volta de 1940, o curtume foi desativado, causando enorme prejuízo ä vila, mas não impediu sua caminhada para a emancipação, que aconteceu no dia 25 de novembro de 1953, através da lei nº 525-A.

A lei 377, de 31 de dezembro de 1943, havia mudado o nome do lugarejo para Curituba - nome de um povoado do município - para evitar a pluralidade de nomes no pa[is. Isso contrariou a população, mas em 1958, a lei nº 890 de 11 de janeiro devolveu  ao município seu nome de origem, indígena, que significa arara e papagaio, passando o município a se chamar Canindé do São Francisco.

O CANGAÇO NO MUNICÍPIO

O escritor Alcino Alves Costa citou no seu livro "Lampião além da verão" a  "Tragédia de Canindé do São Francisco", que foi um dos municípios mais castigado pelo cangaço. Para ele, o ataque mais marcante ocorreu  no dia de Santos Reis, 6 de janeiro de 1932, quando Lampião montou uma infalível estratégia para driblar o cerco policial e invadir a pequena  povoação. 

Para concretizar o plano, ele usou o coiteiro Chico Vaqueiro para espalhar a notícia de onde Lampião e seu bando estariam escondidos. O plano foi perfeito. A policia, comandado pelo tenente Matos, caiu na armadilha e saiu ä procura dos bandoleiros, deixando a povoação indefesa.

Por volta das 8 horas daquele dia, os cangaceiros invadiram o lugarejo. O temível Zé Baiano, que costumava usar uma palmatória como objeto de tortura, resolveu ser ainda mais perverso. Usou um ferro, com as iniciais JB, para marcar com fogo o rosto das pessoas e deixou uma prostitua  também com as nádegas e a vagina marcadas.

POVO SOFRIDO EM CANINDÉ VELHO

Os meios de comunicação têm sido pródigos em relação ä vida de Canindé só São Francisco, município que ganhou projeção após o direito constitucional de ver sua receita elevado para picos verdadeiramente astronômicos. A nova cidade foi projetada e construída sob a égide da grandeza, e pessoas de todo o Brasil acorreram ä procura de lucros e vantagens.

A nova Canindé era o grande eldorado de Sergipe. E os pioneiros da velha Canindé? O que foi feito deles? Quais as providências  e cuidados que as autoridades do Estado e do País tomaram em reação às famílias do pequeno núcleo ribeirinho?

Com ares de "bom moço" os responsáveis pela hidrelétrica, guiados pela insensibilidade característica daqueles que não possuem o mais elementar sentimento de humanidade, cuidaram de convencer aquela gente a se mudar para a nova e grandiosa cidade com argumentos tentadores.

Chegou do dia da mudança. Muitos sofreram aquela triste despedida. Foi com dor no coração que aquela gente abandonou sua casa e se retirou de sua cidadezinha amada, com destino ä nova cidade.

Cada um daqueles beiradeiros sonhava com melhores dias, uma condição melhor, uma mesa farta, e junto a esses sonhos, a certeza  da continuidade da paz e harmonia que gozavam  no pequenino lugar de seus troncos e raízes.

O tempo passou. Lá se vão 14 anos da inauguração da nova cidade. O município enriqueceu, o povo empobreceu ainda mais. A maioria dos que vieram da Velha Canindé perdeu sua identidade e hoje são considerados restos de um povo que perdeu suas casas, sua tranqüilidade e o aconchego das ruazinhas poeirentas do lugar em que nasceu e viveu os melhores anos de suas vidas.

O que se vê nos dias de hoje é um injusto e in explicável contraste o município,m que nos tempo de penúria e indigência era um pai amoroso que se preocupava com seus filhos, nos dias atuais tornou-se um pai perverso e injusto para com seus descendentes que os tem mergulhado numa pobreza absoluta, enquanto ele (o município) é detentor de grandes posses.

Pobre povo da Velha Canindé. Perderam tudo. Atônicos e abismados, os moradores da cidade condenada assistiram ao final triste da história do Canindé Velho de Baixo. Naquele inesquecível e doloroso instante começava também a perda da identidade dos filhos do último porto do Baixo São Francisco. 

Tudo foi dizimado. A cidade foi varrida do mapa de Sergipe. A troco de quê? Absolutamente nada. De vez que com o passar dos anos foram construídas casas e até a estrutura de um hotel, numa prova mais do que evidente de que não havia necessidade de se assassinar a história do povo da Velha Canindé. E ainda mais, não se respeitou nem os mortos da cidade destruída. Numa atitude absurda e verdadeiramente incompreensível, os restos mortais do povo que deu vida ä Canindé e ä Sergipe foram arrancados de suas tumbas, onde repousavam para a eternidade, e foram levados para o novo cemitério da nova e vaidosa menina sertaneja.

 A nova Canindé roubou identidade cabocla. Destroçou o sentimento de cada um dos descendentes da eira do "Velho Chico". Em lugar da caça e da pescaria, a sobrevivência chega através do bendito dinheirinho das aposentadorias, além  da vergonha de se ver obrigado a ir para um fila mendigar uma cesta vergonha de se é obrigado a ir para uma mendigar uma cesta vergonhosa do Governo Federal.

Não se pode negar,. Ë  uma verdade. O sertanejo foi castigado. Um castigo tão medonho que até o gigante e invencível Rio São Francisco caiu e foi dominado pela sanha maldita do homem que em nome do progresso levou-o para uma quase que irreversível morte. Dá pena de ver a situação chocante e aflitiva do famoso rio.

A Nova Canindé é noticia, e manchete de jornal, é noticiário de televisão, \e uma jovem mocinha que precisa ser exemplada para perder sua vaidade, seu orgulho e sua insensibilidade. e o povo da Velha Canindé? este continua sofrido até quando? só deus sabe 

Alcino Alves Costa
Escritor e ex-prefeito de Poço Redondo.

OS HERDEIROS DE CANINDÉ

As irmãs Adélia Marinho Pereira, 59 anos, e Luzia Ferreira Marinho, 58 anos, afirmaram que são herdeira de todas as terras onde estão localizados os municípios de Canindé e Poço Redondo e comprovam com escrituras datas de 1947.

Elas  perderam as terras após a morte de seu pai, Amâncio Ferreira da Silva, o sargento Luz da PM, ter sido assassinado em 1952. As duas e a mãe foram expulsas violentamente das terras que depois foram apropriadas indevidamente. 

Em 1987 as irmãs ganharam na justiça a reintegração de posso dos quase 2 bilhões de metros quadrados de terras. Elas estão tentando um acordo com o Estado para receber uma aposentadoria vitalícia. Caso não consigam, ameaçam entregar as escrituras ao MST.

PERSONALIDADE DE CANINDÉ

Juvêncio de Britto - Bispo da diocese de Caitité (BA) e Garanhuns (PE) onde morreu.

Manoel Porfírio Brito - engenheiro geográfico

Coronel Francisco Porfírio Britto- Um dos fundadores

Cícero Lima - Químico industrial do curtume Canindé

Antonio Porfírio de Britto - Jornalista e contador

Maria Miranda Britto (D. Sinhá) - Destacada comercialmente

Manoel Alves Feitosa  (Manezinho Feitosa) - Destacado comerciante

Hercílio Porfírio de Britto - Dono da Fazenda Cuibá

Ananias Fernandes dos Santos - Primeiro Prefeito

Hilda Fernandes dos Santos Silva - Vereadora

Epifânio Feitosa da Silva - Chefe Político

José Valter P Araújo - Colaborador para divulgação 

Valdemar Feitosa - Funcionário público do Fisco

Francisco Galdino CArvalho Santos - Advogado

Antonio Carlos M Alves - Industriário Laticínios

Breno George Fernandes Salgado - Arquiteto

Marcio ( Canindé) Caetano Alves - Jogador do santos de sP

OS ANTEPASSADOS

A professora Delfina Fernandes Alves, 55 anos, funcionaria da Ação Social, foi quem providenciou a transferência dos restos mortais dos moradores para a nova Canindé. "disseram que a cidade ia ser inundada por isso eu providencie a mudança. da antiga Canindé só restam saudades da nossa infância, juventude e de nossos antepassados", diz ela.

Para Delfina, valeu a pena a transfer6encia da cidade. "trouxe desenvolvimento e progresso para as famílias,  não só para as moradoras da Velha Canindé, como também para os recem-chegados. Apesar dos comentários negativos., Canindé é uma cidade pacata e hospitaleira", afirma ela.

A professora Maria do Socorro Feitosa Guimarães, 52 anos, concorda com Delfina. "Sabemos que com a chegada do progresso vêm o positivo e o negativo. Em Canindé  predomina o positivo., Não podemos dizer que tudo está às mil maravilhas, mas podemos afirmar que em quase todas as áreas vimos seu desenvolvimento", diz.

Delfina destaca os atrativos turísticos de Canindé.  "Sua beleza natural, o cânion do São Francisco, a serra do Cruzeiro e tantas outras atrações encantam os visitantes", diz.

A SUJA POLÍTICA DE CANINDÉ

Na época da inauguração da cidade, ocorrida em 1987, o prefeito era Jorge Luiz Carvalho santos, eleito através do prestigio político do pai, Ananias Fernandes, após  sua morte num acidente  automobilístico. No mês Julho/2001 Jorge foi preso pela Policia federal, junto com sua ex-mulher , a ex-prefeita Hortência Carvalho (agora silva) pois nesta data esta casado o Deputado Ismael silva.

Eles são acusados de terem articulado a chacina que vitimou em 20 de janeiro de 1995 o presidente da c6amara de vereadores, Ademar Rodrigues de Assis, 53 anos, e mais três pessoas. Hort6encia era vice-prefeita na época e assumiu a prefeitura  no lugar do prefeito já então falecido Delmiro de Miranda. Os dois já estão liberdade, o tempo na prisão foi curtíssimo, como previsto por todos.

Outros atentados e mortes ocorridas em Canindé mudaram a história política do município. em 1993, no dia 5 de maio, o prefeito Delmiro de Miranda Britto morreu num acidente de carro, próximo à Nossa Senhora  das Dores. O acidente gerou suspeitas por causa das marcas roxas no pescoço, e também está sendo investigado. 

DUAS INTERVENÇÕES
O município já sofreu duas intervenções estaduais. a primeira foi em 1995, na gestão  de Hortência quando em 11 de Julho Narciso Machado assumiu o destino de Canindé. Após intervenção, Hortência retornou ao cargo e ficou até  o final de 1996.

A segunda ocorreu no dia 2 de maio deste ano 2001, na região na gestão de Rosa Maria Fernandes Feitosa, vice-prefeita  que assumiu a prefeitura em 28 de março, no lugar do sogro prefeito Genivaldo Galindo, que renunciou ao mandato em 27 de março de 2001.

Em fevereiro do ano passado, Galindo foi acusado pelo tratorista  José Ferreira de Melo o Zé de Adolfo, de ter mandado matar o radialista Zezinho cafuza, (Jose Wellington Fernandes).Acusado, ele desapareceu após o Juiz Netônio Bezerra Machado ter decreta sua prisão preventiva no dia 12 de março de 2001, um ano depois do assassinato.

Hoje o município de Canindé exa sendo devassado pela justiça. O número de promotores foi aumentado para investigar o destino exato da renda que entra mensalmente no município que é rico e tem um povo pobre.