Nossa Senhora Aparecida

Prefeitura Municipal
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Prefeito(a)  Atual: MANOEL ERONIDES DOS SANTOS

Aparecida: cidade fundada por retirantes cearenses

Município chegou a exportar algodão para os Estados Unidos e possui uma história política cheia de intrigas

 HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS

Carla Passos

 A história da cidade de Nossa Senhora Aparecida, a 93 km de Aracaju, é bastante interligada com a de Ribeirópolis, antiga Saco do Ribeiro. De acordo com o escritor José Gilson dos Santos, autor do livro ‘Saco do Ribeiro, pedaços de sua história’, no fim do século XIX, além dessa já conhecida, mais ao norte, havia outra povoação. Nesse local alguns já haviam se estabelecido. Entre eles, Cavalcante, grande incentivador da cultura do algodão e principal responsável pelo desenvolvimento do povoado.

Cavalcante era um alagoano de sólida posição econômica, que na primeira metade do século XIX assassinou um fazendeiro em sua terra natal, e acabou sendo localizado em Sergipe e morto por vingança. O povoado onde aconteceu o assassinato passou a se chamar Cruz do Cavalcante, por causa do cruzeiro que colocaram em homenagem a ele. Anos depois o nome foi mudado para Santa Cruz, e por último Cruz das Graças, quando passou a município, desmembrado de Ribeirópolis, na primeira metade da década de 60.

Os primeiros registros do município de Nossa Senhora Aparecida datam de 1877, quando uma família de retirantes do Ceará (do povoado Cuncas, município de Milagres) chegou à Cruz do Cavalcante, fugindo de uma grande seca. Francisco Felipe dos Santos, que atendia por ‘Chico Ceará’, os filhos Antônio Felipe dos Santos e outros, se estabeleceram no local por causa das terras férteis. Eles passaram a ser chamados de ‘Cearás’.

Segundo José Gilson dos Santos, nos primeiros anos Cruz do Cavalcante teve mais progresso que Saco do Ribeiro, principalmente pelo grande cultivo de algodão, que o povoado chegou a exportar para os Estados Unidos. tinha também uma feira que todos os domingos. Apesar de Cruz do Cavalcante pertencer a Itabaiana, os habitantes da localidade tinham mais ligação com o povoado São Paulo, atualmente Frei Paulo, que também fazia parte do município.

“O declínio de Cruz começou com a ascensão de Saco do Ribeiro, em 1914, quando aconteceu a primeira feira. As casas comerciais de Cruz passaram a funcionar apenas no domingo, no dia de feira, porque nos outros dias não havia movimento”, diz José Gilson.

Em decorrência do desenvolvimento do Saco do Ribeiro, em 1933, dia 18 de dezembro, foi criado o município de Ribeirópolis.

 

BRIGA POLÍTICA

 

Em 1947, Josué Passos é lançado candidato da União Democrática Nacional (UDN) a prefeito de Ribeirópolis, concorrendo com Baltazar Francisco dos Santos, da família dos Cearás, e começa uma grande briga política. “A campanha eleitoral desse ano se desdobrou em clima de agitação, que culminou no dia 7 de setembro, quando Josué e sua comitiva foram fazer um comício no povoado de Cruz do Cavalcante.

O delegado Manuel Perciliano dos Santos resolveu revistar os participantes da comitiva, que não aceitaram. Por causa disso começou um tiroteio que resultou na morte de José Severiano de Jesus, conhecido como ‘José Tibúrcio’. Ninguém descobriu quem atirou nele”, informa José Gilson. Nessa eleição, Josué Passos obteve sucesso, mas em 1950 foi Baltazar quem venceu.

Em 1954, o fazendeiro João Nunes de Carvalho concorreu pelo PSD, com Josué Passos pela UDN, à prefeitura de Ribeirópolis e ganhou com um voto de diferença. No entanto, a UDN entrou com um recurso de recontagem de votos, a situação se inverteu e Josué foi eleito. Os pessedistas passaram a afirmar que Josué não assumiria o cargo. Pouco depois de ser empossado foi assassinado em sua casa e  a família Ceará foi acusada de homicídio.

Os Cearás não aceitaram a acusação, afirmando que Josué tinha muitos inimigos. “Os situacionistas agitaram-se em busca de prováveis criminosos e ajuizaram que só poderiam ser os chefes do partido contrário. A caça aos políticos de oposição foi imediata, e a polícia colaborou. Realmente eram os Cearás , dos quais um era deputado estadual: Baltazar Santos. Após isso, eles escaparam.

Na casa de Baltazar e nas suas fazendas ninguém foi encontrado, então atearam fogo nelas. Nada restou de aproveitável. Até o gado foi retirado. Uma casa comercial foi inteiramente saqueada. Dos irmãos Ceará , três foram presos e, apesar de  absolvidos por unanimidade, custou a serem libertados.

Entre os que tiveram que deixar a casa às pressas estava Antônio Santos (conhecido como Tota de Percílio), filho do primeiro prefeito de Cruz das Graças, Manuel Perciliano dos Santos. Ele foi morar em Serra Negra, na Bahia. “Toda a família foi para lá e por carta nós ficamos sabendo que destruíram tudo que a gente tinha, incendiaram minha casa, mataram meu gado. Passamos oito anos lá. Mas agora eu voltei com minha família para cá porque é a minha terra”, diz.

 

 

CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO

 Baltazar foi reeleito como deputado estadual. No começo da sua legislatura, em 1963, apresentou um projeto para a criação do município de Cruz das Graças, desmembrando-o da área territorial de Ribeirópolis. Através do decreto lei nº1.223, de 26 de novembro de 1963, foi criado o município com sede no antigo povoado de Cruz do Cavalcante, compreendendo também os povoados de Maniçoba, Bonsucesso e Fazendinha Alta.

Logo após o Tribunal Regional Eleitoral encarregou-se de promover os trâmites legais para que fossem eleitos o primeiro prefeito, Manoel Persiliano dos Santos, e os vereadores, que tomaram posse em 1965. Esse desmembramento não foi bom para Ribeirópolis, que perdeu a parte principal da agricultura, mas para a região foi excelente.

A lei nº165, de 24 de dezembro de 1975, dispôs sobre  a transferência da sede do município de Cruz das Graças para o povoado de Maniçoba, que recebeu a denominação de Nossa Senhora Aparecida. A transferência da sede do município ocorreu durante a  administração do segundo prefeito do município, Manoel Torquato de Jesus, que governo por três mandatos.

 Maniçoba passa a ser a sede do município

 O terreno onde hoje é a sede de Nossa Senhora Aparecida pertenceu ao Primo Torquato de Jesus, que  o comprou em 1922 a um homem de pré-nome Damião. O seu filho, José Torquato de Jesus, morava na capital de São Paulo e um dia, em 1956, sonhou com Nossa Senhora Aparecida parada na estrada que dividia a fazenda do seu irmão Manoel Torquato de Jesus com a de Manoel Perciliano dos Santos.

Por causa disso ele chamou seu irmão , Elisiário Bispo de Jesus, que vivia em Mirante do Paranapanema, também em São Paulo, para morar em Maniçoba e construir uma capela, colocando a imagem da santa. “Só depois que eu percebi que foi uma previsão, já que Manoel Perciliano e Manoel Torquato foram o primeiro e o segundo prefeito da cidade, que depois passou a se chamar Nossa Senhora Aparecida”.

Elisiário não estava satisfeito com a sua plantação de algodão em Mirante porque chovia muito. “Era tanto trabalho e a chuva estragava. Então eu decidi ir embora para Maniçoba com o meu irmão e construímos uma igrejinha de 5 por 10 metros”. José Torquato diz que , para a construção, cada mulher solteira dava 50 cruzeiros, as casadas davam um prêmio para o leilão e ao homens pagavam a bandeira ( compravam a mercadoria). “Assim nós conseguimos construir a primeira capela do povoado, fazendo os tijolos no quintal casa e no final de 1957 o padre de Aleixo, de Ribeirópolis, celebrou a primeira missa  de Maniçoba”.

Segundo Elisiário, o povoado foi crescendo em 1975 já possuía 130 casas, número maior que Cruz das graças, com 108 casas. “Então nós construímos uma capela maior no mesmo lugar da primeira. Chico Passos, deputado estadual, queria transferência dentro de poucos dias, então pediram que eu, como tesoureiro da prefeitura, fizesse o levantamento das duas cidades. Então eu pensei: se a sede for transferida para Maniçoba, é melhor mudar de nome para Nossa Senhora Aparecida, igual ao nome da capela”.

Os deputados aprovaram e no dia seguinte, os vereadores do município também. A lei nº165, de 24 de dezembro de 1975, dispôs sobre a transferência da sede do município da Cruz das Graças para o povoado de Maniçoba, que recebeu a denominação de Nossa Senhora Aparecida. Segundo Elisiário Bispo, no dia 24 ele estava em Aracaju e leu a notícia no jornal. “fiquei muito feliz, principalmente por causa do nome do município que agora passaria a se chamar Nossa Senhora Aparecida e teria como povoados Cruz Das Graças, Algodão, Bonsucesso, Lajes e metade da Fazendinha, que também pertence a Carira”.

Enquanto a população de Maniçoba gostou da mudança da sede, os moradores de Cruz das Graças não se conformaram. Eles dizem que isso aconteceu por questões políticas por causa da inimizade da família Passos com os Cearás. Na noite que Maniçoba passou a ser sede do município aconteceu um tiroteio. Dessa vez sem nenhum ferido. Novamente, a família Ceará foi acusada de ser responsável por não se conformar com essa mudança, mas até hoje não se conseguiu provar.

 Exemplo para os jovens de Aparecida

(*) Jailson  J. Meneses

José Felipe dos Santos, conhecido como Zé de Capitulinha, foi um menino prodígio que nasceu na fazenda Monde, hoje Aparecida. Menino moleque como outro qualquer, teve uma infância pobre e com a morte do  pai, mudou-se com a mãe e com os irmãos para Ilhéus-BA. Aos 18 anos, foi funcionário da Casa Pereira Fernandes Ltda. e viajava todo o sul da Bahia vendendo ferragens. Em 1940, já era ano da guerra, o jovem Zé Felipe foi convocado e partiu para Salvador. Porém ele não embarcou por não haver datilógrafo.

Então ele foi para Recife, estudou inicialmente no Colégio Padre Félix, onde concluiu o curso científico e em seguida fez vestibular para a escola de ciências médicas do Recife.

Já médico, entrou para a escola de saúde do Exército Brasileiro e foi morar no Rio de Janeiro. Lá fez diversos amigos ilustres como Adoniram Barbosa e Vinícius de Morais. Foi médico do presidente Castelo Branco, chefe do serviço médico do Palácio do Planalto, secretário de Saúde de Goiás, diretor do Instituto Médico Legal e Polícia Técnica do Distrito Federal, diretor do serviço de saúde da Guarda Presidencial e do Regimento da Cavalaria e Guarda.

Não se contentou com todo esse currículo e fez os cursos de Direito e Jornalismo. Ele é pioneiro em Brasília, já que chegou junto com o presidente Juscelino Kubitschek. Atualmente é diretor proprietário da primeira clínica médica do Distrito Federal.. Que essa história sirva de exemplo para os mais jovens de minha terra.

                                      (*) Estudante de Psicologia

 

Filhos ilustres de Aparecida

·      Manoel Perciliano dos Santos- primeiro prefeito

·      Manoel Torquato de Jesus (tenente)- segundo tenente

·      José Felipe dos Santos- médico, advogado e jornalista

·      João Andrade- padre do povoado Curralinho

·      Hermenegildo- padre em La Plata, Argentina

·      José Dutra de Menezes Filho- advogado

 Aparecida hoje Ano de 2002

 Distância de Aracaju- 93 km

Região- Oeste (sertão)

População- 8.273 habitantes

Atividades econômicas: pecuária e agricultura (milho)

 

Fonte “Saco do Ribeiro, pedaços de sua história”, de José Gilson dos Santos. Colaboração de Jailson Meneses.